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Pokémon Go: 6 fatores de sucesso da app que capturou o mundo
22 . Julho . 2016
  • desenvolvimento
  • design
  • marketing
  • app marketing
  • website responsivo

Qualquer app quer ser extremamente bem-sucedida e tornar-se viral, mas num mercado cada vez mais sobrelotado, é difícil destacar-se na multidão. E no entanto, o Pokémon Go saiu do nada para se tornar um êxito instantâneo, num crescimento tão meteórico que conseguiu até ofuscar, sozinho, gigantes como Candy Crush, Angry Birds e até o Tinder e o Twitter.

Como é possível que isto tenha acontecido? Como é que uma app acabada de lançar, no espaço de algumas semanas, se torna um sucesso esmagador por todo o mundo? E, talvez mais importante, que lições se podem retirar do Pokémon Go acerca do desenvolvimento de apps e app marketing? Para responder a estas questões, vamos analisar quais os fatores que contribuíram para o seu sucesso recordista e o que podemos aprender deles. Mas primeiro, um pouco de informação contextual sobre a app que capturou milhões de utilizadores por todo o planeta.

O que é o Pokémon Go?

Pokémon Go é uma app móvel de jogo “free-to-play” (gratuito para jogar) desenvolvida pela Niantic, Inc. para a The Pokémon Company (ao contrário do que se normalmente pensa, não é, de facto, uma app direta da Nintendo, embora a Nintendo possua um terço da The Pokémon Company e controle a Niantic). Foi lançada a Julho de 2016 em várias fases por diversos países e faz parte de uma celebração de 20 anos da marca Pokémon, que se estende por inúmeros videojogos, séries animadas, filmes, cartas colecionáveis e muito mais.

A jogabilidade do Pokémon Go é aparentemente simples de entender: utilizando o GPS e a câmara de um smartphone, a app permite aos utilizadores localizarem as famosas criaturas chamadas Pokémon por áreas geográficas reais e capturarem-nas dentro da app. Embora não seja de longe a primeira app a fazer uso desta tecnologia, o Pokémon Go é responsável por popularizar a tecnologia de realidade aumentada, ou AR, através da qual consegue representar as criaturas dentro do jogo em cenários da vida real. Outra funcionalidade particular é o uso de locais históricos reais, tanto como ‘PokéStops’ – locais onde os utilizadores podem recolher itens importantes para jogar – ou como ‘gyms’ – onde utilizadores podem desafiar os Pokémon de outros para conquistar a localização para uma de três equipas no jogo.

É importante notar que muitas destas caraterísticas de jogabilidade são semelhantes às da série de videojogos de “role-playing” que a Nintendo lança desde 1996. As diferenças-chave são na maneira como a app conecta estas funcionalidades ao mundo real, com o uso de localizações geográficos e o uso já mencionado de realidade aumentada. Essencialmente, o Pokémon Go cumpre a promessa de longa data da marca de permitir às pessoas capturarem-nos todos, desta vez interagindo com o mundo real em vez de limitar-se a um cenário puramente virtual.

Porque é que o Pokémon Go tem tanto sucesso?

A ascensão à popularidade do Pokémon Go pode ser atribuída a diversos fatores. É importante ter em conta que nenhum destes fatores opera sozinho; em vez disso, todos se complementam mutuamente para criar uma experiência única. Dito isto, cada um destes fatores tem uma lição importante para reter para desenvolvimento de apps e/ou app marketing que deverá ter em conta ao desenvolver a sua própria app vencedora.

1. Um conceito inovador e fora-da-caixa… que faz sentido

Como acima referido, o Pokémon Go combina algumas funcionalidades inovadoras e tecnologicamente avançadas, em particular realidade aumentada e geolocalização. No entanto, não é simplesmente a tecnologia em si que o diferencia – mais propriamente, é a maneira como esta combinação faz completamente sentido e coopera com o fluir da própria app. Usar geolocalização para permitir que a app saiba onde está no mundo e depois a realidade aumentada para permitir que interaja com elementos virtuais no mundo real já é criativo que chegue; contudo, usar essa combinação de elementos para construir um jogo que brinca com a sensação de descobrimento e maravilha é simplesmente genial e genialmente simples. As funcionalidades pura e simplesmente fazem sentido para o jogo que foi construído, criando uma experiência extremamente agradável e não apenas extras irrelevantes.

A lição: pense fora da caixa mas, mais importante, assegure-se que faz sentido tudo junto. Não acrescente novas funcionalidades criativas ao seu conceito só porque sim; em vez disso, garanta que integra o potencial para criatividade e inovação desde a concetualização.

2. Uma marca única e bem construída na qual o conceito se encaixa

Algo que poderá ser surpreendente para a maioria das pessoas é que o Pokémon Go não é, na verdade, a primeira inclusão da Niantic destas funcionalidades exatas numa app de jogo. O antecessor do Pokémon Go, Ingress, já tinha sido protótipo para alguns elementos essenciais do jogo, sobretudo a geolocalização. No entanto, dificilmente se poderá dizer que atingiu o mesmo nível de popularidade, e é seguro mencionar que a maioria das pessoas não estão sequer cientes desse jogo. Então o que torna o Pokémon Go tão diferente dele?

A principal diferença aqui é a marca envolvida. Mesmo antes desta nova app, Pokémon já era um gigante multinacional, embora discutivelmente nunca nesta dimensão. Contudo, como já explicado, este conceito lógico e inovador encaixa perfeitamente na marca. A marca Pokémon é essencialmente sobre exploração, descobrir novos segredos e surpresas, partilhar e cooperar com outros. O modelo do jogo encaixa como uma luva no significado da marca, criando uma sinergia entre app e marca que forma uma combinação imbatível. O significado da marca ‘Pokémon’ eleva a app, não só fazendo com que a app seja acertada para o nome, mas também que beneficie das dúzias de criaturas já bem estabelecidas que têm um grau de contexto para as pessoas.

A lição: não é preciso uma marca multi-bilionária para ter sucesso; simplesmente, a app deve encaixar-se na marca e a marca deve encaixar-se na app. Se estiver a criar uma app baseada numa marca existente, assegure-se que encaixa no significado da marca. Se estiver a criar uma app primeiro e depois desenvolver uma marca à volta dela, esta última deverá carregar o mesmo sentido e significado que a app que construiu.

3. Usar a tecnologia acertada

Por “tecnologia” não nos referimos às funcionalidades inovadoras das quais já falamos extensivamente. Em vez disso, estamos a falar da tecnologia em que a app funciona.

Como já mencionado, Pokémon já possui uma série de videojogos há duas décadas, mas a maioria destes está limitado para os principais sistemas portáteis de videojogos da Nintendo. Mas, desta vez, o Pokémon expandiu-se para uma plataforma muito mais acessível e já bem treinada nas mentes dos consumidores: smartphones.

Toda a gente sabe como usar um smartphone hoje em dia, e praticamente todos possuem um. Esta ubiquidade significa que o alcance potencial desta app são milhões de pessoas de todas as idades, géneros e locais, em contraste com o público-alvo comparativamente mais pequeno de uma consola Nintendo.

Mais concretamente, toda a gente também sabe como usar um GPS e como tirar fotos com a câmara de um telemóvel; logo, as funcionalidades básicas desta app já são uma segunda natureza para utilizadores. Embora isso não seja uma caraterística de que todas as apps possam beneficiar, ajuda bastante ter sistemas que são intuitivos ou semelhantes o suficiente a técnicas às quais o utilizador normal já está muito habituado.

As lições: confirme que usa a plataforma certa para a sua ideia e para o seu público. Talvez seja mais apropriado para um website responsivo? Se calhar uma app é a maneira perfeita de a usar. Possivelmente, uma combinação de ambos é a escolha ideal. Lembre-se também de manter o conceito simples e intuitivo – construa a partir da experiência e conhecimento existente do utilizador para a melhor experiência de utilizador.

4. O público-alvo certo, na altura certa

Em parte relacionado com o ponto anterior sobre a plataforma certa, é relevante mencionar que os miúdos e miúdas que foram os primeiros a jogar Pokémon estão agora na casa dos vintes e trintas, que, não por coincidência, são uma demografia que utiliza muito regularmente smartphones. Estão também na idade certa para relembrarem com afeto a sua infância, quando o Pokémon estava no seu primeiro pico de popularidade.

A nostalgia é um fator poderoso, razão pela qual tantas campanhas de marketing dependem fortemente da mesma. O Pokémon não é exceção; como referido, trata-se da celebração de 20 anos do lançamento original no Japão. Para um grande público demográfico, foi uma parte integral da sua juventude, pelo que vê-lo novamente agora traz de volta todas essas memórias e emoções fortes e duradouras, o que os torna ainda mais suscetíveis à app.

Na sua essência, o Pokémon Go é a culminação da promessa feita às crianças dos Anos 90. Nessa altura, as suas imaginações eram preenchidas por sonhos de aventuras, de caçar Pokémon, de os capturar a todos. Hoje, com o uso da sua ferramenta tecnológica predileta, podem fazer exatamente isso. É esta realização que torna o Pokémon Go tão contagiante para esta demográfica, que, por sua vez, se propaga intensamente por ainda mais demografias, curiosas para saber o motivo por tanta excitação.

A lição: conheça o seu público-alvo e conheça-o bem. Se dirigir a sua app às pessoas erradas, não irá a lugar nenhum; se a dirigir da forma exata às pessoas certas, tem o potencial de se propagar como fogo. Assim sendo, assegure-se de se concentrar fortemente em app marketing, mesmo antes de começar o desenvolvimento, para confirmar que tem a mentalidade certa desde o princípio.

5. Funcionalidades viciantes que fazem com que não queira parar

Anteriormente, mencionamos “free-to-play”. “Free-to-play” é o equivalente em jogos de “freemium”, ou seja, uma app que é completamente gratuita para começar a usar, mas que tem elementos mais avançados dos quais precisa de pagar. Neste caso, o seu lucro virá não da aquisição da app pelo utilizador, mas sim do seu uso continuado, particularmente por utilizadores avançados que conhecem todos os pormenores e/ou mais precisam do seu uso.

À primeira vista, freemium poderá soar contra-intuitivo – porque é que vou arriscar fazer da minha app grátis de usar? E se os utilizadores descobrem maneira de a usar à vontade sem gastar um tostão? –, mas há outro fator extremamente poderoso em jogo no Pokémon Go que o fez extremamente lucrativo até agora: ludificação (em inglês, “gamification”).

Ludificação é essencialmente a noção de trazer funções e elementos de design típicos de jogos para contextos que não estão geralmente associados a jogar, de modo a tornar o seu uso mais cativante e, subsequentemente, mais repetível. Poderá considerar que é óbvio como o Pokémon Go faz isto – o GPS e, de certa forma, a câmara são funcionalidades não relacionadas normalmente com jogos que foram transferidas na perfeição, e o próprio aspeto colecionável de Pokémon é ludificação pura –, mas é muito mais complexo do que isso. E é assim que faz dinheiro.

O Pokémon Go é construído com certos elementos que estão bloqueados por pagamentos. Alguns itens extremamente úteis não podem ser adquiridos sem pagar; outros são facilmente disponibilizados pelos já mencionados PokéStops, mas se não quiser o incómodo de se deslocar fisicamente até aos mesmos ou precisa de maiores quantidades imediatamente, pode comprá-los. Uma questão importante é que nenhum destes elementos são cruciais para jogar o jogo, mas ajudam a chegar mais longe, mais rapidamente; e como o Pokémon Go é tão ludificado que é praticamente um vício, uma grande percentagem de utilizadores vão recorrer a estes métodos pagos. Desta forma, em vez de limitar a base de utilizadores logo no início com uma aplicação paga, eles tornaram-na grátis para todos, aumentado o seu alcance, e depois tornaram a jogabilidade central tão viciante que muitos dos jogadores vão gastar dinheiro voluntariamente para avançarem e desfrutarem ainda mais.

Note-se que ludificação não faz só sentido em contextos de jogos. Poderá ser uma surpresa se lhe dissermos que as redes sociais são, também, extremamente ludificadas. Afinal, a verdade é que têm um sistema de pontuação – o número de amigos ou seguidores que possui é uma indicação que permite saber se está a “ganhar” comparado com os outros. Da mesma forma, qualquer app ou plataforma pode incluir métodos de ludificação que certamente farão do seu uso extremamente motivante por si só, aos quais até aplicações B2B podem recorrer.

As lições: utilize o processo de pagamento acertado para a sua app e faça-a cativante através de funcionalidades típicas de jogos que fazem os utilizadores sentir que estão a ganhar. Até mesmo uma app aparentemente gratuita pode ser extremamente lucrativa com o uso acertado de add-ons opcionais.

6. Um elemento social poderoso

Um elemento final por detrás do sucesso do Pokémon Go, que está também por detrás de outras aplicações e plataformas de sucesso, é o quão social a experiência é. O próprio jogo dá-lhe inúmeras razões para interagir com outras pessoas: não inclui tutoriais extensivos, levando a que os jogadores procurem-se mutuamente para respostas e conselhos; incentiva a comparação de coleções para verificar o seu progresso face ao dos outros; e tem também funcionalidades que permitem que colabore com outros de modo a obter muitos mais Pokémon juntos do que conseguiria sozinho. Tem, também, um lado competitivo, com a inclusão dos “gyms” e a separação dos utilizadores por equipas, o que acrescenta outro traço ao jogo que permite-lhe obter do mesmo uma sensação de satisfação.

Obviamente, nos dias que correm, a vertente social é um elemento crucial em tudo. Desde as redes sociais até à própria Internet, estamos todos conectados, e o Pokémon Go atinge o sucesso ao pegar nessa necessidade por interação social – ou medo de perder algo (o chamado “Fear of Missing Out”) – e arrastá-la de volta para as ruas e para o exterior, levando as pessoas a aprender mais sobre as suas próprias cidades ao lado de outros utilizadores. Essencialmente, providencia uma experiência social que nem as redes sociais mais populares podem transmitir.

A lição: não subestime o aspeto social – é crucial. Mesmo que esteja a criar uma app B2B, a rede de suporte a interação com outros utilizadores ou mesmo com a própria equipa de desenvolvimento fazem toda a diferença para o utilizador. Assegure-se que considera e implementa ferramentas sociais para prolongar a longevidade e o uso da sua app.

Conclusão

Como vimos, há seis fatores principais para a popularidade do Pokémon Go, uma combinação vencedora que parece aleatória mas não o é. É tudo desenvolvimento, design e marketing a trabalharem em conjunto para criar algo novo, excitante, e simplesmente acertado para os dias que correm, lições que nós próprios já tínhamos aplicado no passado à nossa própria app de jogo de sucesso eQubes. E se quiser apontar para esse nível de sucesso, não irá lá chegar simplesmente copiando o Pokémon Go. Em vez disso, aprenda com as suas vitórias para construir a sua própria ideia criativa. Se o Pikachu o consegue fazer, também o conseguirá.

Por Diogo Ferreira

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